A Polícia Federal identificou o empresário Marcelo Conde como o suposto líder de uma rede criminosa voltada à obtenção e ao vazamento de dados fiscais sigilosos. A investigação, conduzida no âmbito da Operação Exfil, aponta que o grupo acessou informações protegidas de 1.819 contribuintes, incluindo autoridades públicas, integrantes do Tribunal de Contas da União e familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as vítimas está Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou o mandado de prisão preventiva contra Conde. Atualmente, o empresário é considerado foragido e estaria fora do país.
O esquema operava por meio de uma estrutura organizada que contava com a participação de servidores públicos, funcionários terceirizados e despachantes. De acordo com as investigações, o grupo utilizava credenciais de forma indevida para acessar sistemas restritos da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Depoimentos colhidos pela corporação indicam que Marcelo Conde era o responsável por fornecer listas de CPFs e realizar pagamentos em espécie, em torno de R$ 4.500 por operação, para garantir o acesso ilegal às informações.
Nesta quarta-feira (1º), agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. O objetivo desta etapa da Operação Exfil é consolidar provas sobre a extensão da rede e identificar outros possíveis envolvidos no compartilhamento irregular das informações coletadas. O caso tramita sob sigilo e é um desdobramento do Inquérito das Fake News, instaurado em 2019 pelo STF para apurar ataques e a disseminação de dados falsos contra a Corte e seus integrantes.
Esta fase da investigação sucede a primeira etapa da operação, ocorrida em fevereiro deste ano. Desde o início dos trabalhos, a Polícia Federal tem focado no rastreamento dos fluxos de informação dentro dos sistemas federais e na identificação de acessos irregulares recorrentes. O procedimento jurídico foi originalmente instaurado na gestão do ministro Dias Toffoli, que designou o ministro Alexandre de Moraes como relator do caso. Agora, as autoridades trabalham para localizar Marcelo Conde e analisar o material apreendido nas buscas recentes.
