Uma onda de manifestações tomou as ruas de Nova Delhi na última semana, reunindo milhares de pessoas em torno de pautas urgentes sobre o sistema educacional do país. O movimento, que ganhou tração rapidamente, teve como foco central a exigência pela renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, responsabilizado por falhas críticas na condução de um exame de admissão universitária que impactou milhões de estudantes indianos.
A mobilização atraiu um público heterogêneo, composto por acadêmicos, jovens ativistas, pais de trabalhadores e figuras influentes da sociedade. O desfecho imediato ocorreu no sábado, quando Pradhan apresentou sua renúncia ao primeiro-ministro Narendra Modi, levando os organizadores a encerrarem os atos públicos. Este episódio é visto como um dos desafios mais expressivos para a atual gestão, especialmente considerando que os jovens representam 40% da demografia indiana.
Entre os participantes, relatos como o de Amal Hayat, estudante de engenharia, destacam a preocupação com a justiça e a transparência. Hayat, que busca carreira em inteligência artificial, questionou a disparidade no tratamento estatal, apontando a diferença entre a repressão policial a manifestantes e a impunidade de políticos envolvidos em processos criminais graves. O sentimento de incerteza quanto ao futuro também motivou estudantes mais jovens, como Anshu Gudiya, que enxerga nos exames governamentais o único caminho para acessar carreiras em tecnologia e trabalhar no setor de tecnologia.
Além dos estudantes, trabalhadores como o entregador Chandan Kumar também ecoaram as demandas do movimento. Kumar, que precisou abandonar os estudos por questões financeiras familiares, vê na reforma educacional uma oportunidade para que as próximas gerações tenham perspectivas melhores do que as que ele encontrou no mercado de trabalho. Para muitos desses manifestantes, a pauta central não se resume a um indivíduo ou partido, mas à necessidade estrutural de garantir um futuro viável para a juventude do país.