Teatros da Amazônia entram na lista de Patrimônio Mundial da Unesco
O Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), receberam o título de Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A candidatura conjunta dos dois espaços foi aprovada na segunda-feira (27 de julho de 2026).
Batizada de Teatros da Amazônia, a inscrição reúne construções inauguradas no fim do século 19, durante o período de expansão econômica da região impulsionado pela extração do látex e pela comercialização da borracha. Os edifícios têm materiais de origem europeia e finalidades culturais semelhantes, apesar de haver 18 anos entre as inaugurações.
O reconhecimento representa a 26ª inserção de bens culturais, naturais ou mistos brasileiros na lista internacional da Unesco. Entre os locais brasileiros já incluídos estão Brasília, Ouro Preto, os centros históricos de Salvador e São Luís, o Complexo de Conservação da Amazônia Central e o conjunto formado pelas culturas e biodiversidades de Paraty e Ilha Grande.
Inaugurado em 1878, o Theatro da Paz foi projetado pelo engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães, com inspiração no Teatro alla Scala, de Milão. A construção ocorreu entre 1869 e 1874, mas a abertura ao público só aconteceu depois do fim de um inquérito sobre denúncias relacionadas aos custos da obra e à atuação dos governos envolvidos.
O projeto do Theatro da Paz combina o estilo neoclássico com elementos amazônicos e foi concebido para receber espetáculos de ópera. O edifício conta com um fosso para a orquestra, planejado para equilibrar a música executada ao vivo e as vozes dos cantores. Reformas posteriores corrigiram problemas estruturais, reforçaram as características neoclássicas e incluíram uma caixa d’água de 40.000 litros sob o fosso, usada no sistema de resfriamento e na acústica da sala.
Considerado o primeiro teatro de ópera da Amazônia e um dos primeiros teatros líricos do Brasil, o Theatro da Paz também possui os títulos de teatro-monumento e patrimônio histórico concedidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896, no Centro Histórico de Manaus. O projeto arquitetônico foi elaborado pelo deputado provincial Antônio José Fernandes Júnior e escolhido pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa em 1883. A obra enfrentou atrasos por causa dos custos elevados e de um impasse envolvendo o terreno, enquanto a construção foi coordenada pelo arquiteto italiano Celestial Sacardim.
Com estilo renascentista e materiais em grande parte importados da Europa, o Teatro Amazonas tem, na cúpula central, 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, trazidas da Alsácia, na França. No interior, Crispim Amaral combinou elementos neoclássicos a outros estilos, formando uma arquitetura eclética. O Salão Nobre foi decorado pelo italiano Domenico de Angelis, autor do afresco A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia. O teatro preserva boa parte da decoração e da estrutura originais e é tombado pelo Iphan como Patrimônio Histórico Nacional desde 1966.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Instagram
