Seca severa no Acre leva governo a decretar emergência por 180 dias

seca severa no Acre

O Governo do Acre decretou situação de emergência em razão da seca severa no Acre e do risco de desabastecimento de água em todo o estado. Assinada pela governadora Mailza Assis (PP), a medida foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (3) e terá validade de 180 dias.

O decreto determina que a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDC) coordene as ações de enfrentamento da estiagem. O texto também autoriza despesas emergenciais para instalação e manutenção de abrigos, fornecimento de insumos, equipamentos, veículos, maquinários e outros materiais destinados às populações afetadas.

Na terça-feira (28), a Prefeitura de Rio Branco já havia decretado estado de alerta em todo o município. As previsões para agosto, setembro e outubro indicam redução dos índices de chuva e aumento das temperaturas, com possibilidade de intensificação da influência do fenômeno El Niño no segundo semestre.

Dados do Monitor de Secas apontam agravamento da estiagem entre janeiro e junho de 2026. Entre abril e maio, aproximadamente 66,7% do território acreano registrou algum nível de seca. A redução dos níveis dos rios e igarapés ameaça o abastecimento de água e o transporte fluvial, sobretudo para comunidades ribeirinhas, indígenas e rurais.

Segundo o decreto, a baixa dos rios pode dificultar o transporte de alimentos, medicamentos e combustíveis, além de elevar os preços desses produtos e provocar o isolamento de municípios e comunidades. A situação também pode afetar 36 terras indígenas, 246 aldeias e 16 povos indígenas, com riscos de falta de água potável, alimentos e remédios, perdas nas roças de subsistência e agravamento da insegurança alimentar.

As atividades escolares em localidades acessíveis somente por rios também podem ser prejudicadas pela redução das águas, que compromete o transporte de estudantes e a entrega da merenda. Comunidades ribeirinhas, indígenas, rurais e isoladas, além de escolas e unidades de saúde em áreas mais afetadas, terão prioridade nas ações do governo, que incluem a distribuição de água por carros-pipa e outras soluções alternativas.

O governo também deverá ampliar as campanhas de conscientização sobre o uso racional da água, a prevenção de queimadas e os cuidados com o calor e a baixa umidade do ar. Durante a vigência do decreto, os órgãos estaduais devem intensificar o monitoramento e o combate a queimadas e incêndios florestais em parceria com o Corpo de Bombeiros, órgãos federais e prefeituras.

O pesquisador Foster Brown afirmou que a combinação entre temperaturas elevadas e menor volume de chuvas favorece incêndios florestais, piora a qualidade do ar e amplia os impactos sobre a saúde e os ecossistemas. “Nunca se repete exatamente, mas segue mais ou menos o que aconteceu em 2023 e 2024. Estamos entrando em uma fase em que a influência do El Niño tende a crescer. Com isso, a expectativa é de prolongamento da estação seca”, declarou.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: ContilNet

LEIA MAIS:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *