Observatório será lançado pelo Centro Espacial Kennedy, na Flórida
O telescópio espacial Roman, da Nasa, está nos preparativos finais para o lançamento, previsto para ocorrer no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no final de agosto. O observatório estudará a origem, a composição e a evolução do Universo. O projeto está oito meses adiantado em relação ao cronograma original e dentro do orçamento previsto.
O observatório recebeu o nome de Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa e primeira mulher a ocupar um cargo executivo na agência. Morta em 2018, aos 93 anos, ela contribuiu para o conhecimento sobre as estrelas e teve papel importante na criação do programa de astronomia espacial da Nasa.
Ao contrário do telescópio espacial James Webb, que observa objetos individuais com alto nível de detalhe, o Roman foi projetado para mapear grandes áreas do céu. O equipamento terá dois instrumentos principais: o instrumento de campo amplo, que detectará luz infravermelha, e o coronógrafo, desenvolvido para bloquear o brilho de estrelas próximas e facilitar a observação de objetos menos luminosos.
O campo de visão do instrumento de campo amplo será cerca de 100 vezes maior que o da câmera infravermelha do telescópio espacial Hubble, com nitidez semelhante. A capacidade de mapeamento também será aproximadamente 1.000 vezes mais rápida que a do Hubble. Ao longo da missão, o Roman deverá detectar bilhões de galáxias e dezenas de bilhões de estrelas.
Os dados coletados poderão ajudar os astrônomos a investigar a matéria escura, que representa cerca de 25% do Universo e cuja atração gravitacional contribui para manter as galáxias unidas. O observatório acompanhará como essa forma invisível de matéria influenciou a formação das galáxias em diferentes períodos da história cósmica.
A missão também examinará a energia escura, componente associado a cerca de 70% do Universo e à aceleração de sua expansão. Estudos recentes levantaram a possibilidade de que ela mude com o tempo, em vez de permanecer constante. O Roman buscará dados para testar essas hipóteses e investigar por que, no período atual, as densidades de matéria e energia escura são aproximadamente comparáveis.
Outro objetivo será realizar o maior levantamento já feito de planetas fora do Sistema Solar. Por meio da técnica de microlente gravitacional, o Roman poderá encontrar milhares de exoplanetas, incluindo mundos em órbitas amplas, planetas de baixa massa e objetos que vagam pelo espaço sem estar ligados a uma estrela. A técnica ocorre quando a gravidade de uma estrela em primeiro plano desvia e amplia temporariamente a luz de uma estrela mais distante.
O Roman atuará em conjunto com a missão Euclid, da Agência Espacial Europeia, e com o Observatório Vera C. Rubin, no Chile, que realiza varreduras repetidas do céu do Hemisfério Sul. O telescópio também identificará padrões amplos e objetos incomuns que poderão ser examinados em detalhes pelo James Webb. A observação repetida de grandes regiões do céu ainda poderá revelar eventos raros e fenômenos desconhecidos, oferecendo novos testes para os modelos atuais da cosmologia.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: AstroGeeks
