Superar o CDI tornou-se um desafio considerável para grande parte das empresas listadas na Bolsa brasileira, especialmente em um cenário marcado por taxas de juros elevadas. Um levantamento realizado pela Elos Ayta revela que, entre 347 papéis com liquidez e histórico de negociação suficientes, apenas quatro conseguiram a proeza de vencer o principal benchmark da renda fixa em todas as janelas anuais de 12 meses encerradas entre 2022 e 2026.
As companhias que atingiram esse resultado constante são Sabesp (SBSP3), Copel (CPLE3), Cemig (CMIG4) e TIM (TIMS3). O desempenho dessas empresas destaca-se frente ao próprio Ibovespa, que, no mesmo período, superou o CDI em apenas duas ocasiões, nas janelas encerradas em julho de 2023 e 2026. Em comparação, o setor financeiro e outros investimentos de renda fixa mantiveram uma competitividade acentuada ao longo dos últimos anos.
No acumulado do período de cinco anos, a liderança do ranking ficou com a Sabesp, que registrou valorização de 375,06%. Logo atrás, a Copel apresentou alta de 297,23%, seguida pela Cemig, com 186,16%, e pela TIM, com ganho de 162,86%. A predominância de empresas dos setores de saneamento, telecomunicações e elétrico, como as concessionárias de energia, aponta para a importância da resiliência operacional.
A análise da Elos Ayta reforça que, em períodos de Selic alta, a exigência sobre as companhias de capital aberto aumenta, pois a renda fixa passa a oferecer retornos atrativos com menor volatilidade. As empresas vencedoras compartilham características como receitas previsíveis e menor dependência de ciclos econômicos, fatores que, somados à disciplina financeira e à distribuição de dividendos, permitiram que superassem o benchmark mesmo em ambientes macroeconômicos adversos.