O governo da Argentina oficializou a classificação do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) como uma organização terrorista. A medida segue os passos de países como Estados Unidos e Canadá, tornando a Argentina a primeira nação da América Latina a adotar tal designação. De acordo com o comunicado oficial da Casa Rosada, a decisão fundamenta-se em relatórios que comprovam atividades ilícitas transnacionais e vínculos com outras redes terroristas, visando fortalecer a cooperação internacional em segurança e justiça.
Essa reclassificação ocorre em um cenário de mudanças nas políticas de segurança do Hemisfério Ocidental, influenciadas pela postura do presidente norte-americano Donald Trump. Durante o evento “Shield of the Americas”, realizado na Flórida, Trump incentivou líderes regionais a utilizarem forças militares contra os cartéis, comparando as organizações a um “câncer”. Em seu discurso, o mandatário afirmou que “a única maneira de derrotar esses inimigos é liberando o poder de nossos militares”, defendendo o uso direto das Forças Armadas no combate ao crime organizado.
A proximidade entre Milei e Trump tem se manifestado em diversas frentes políticas e econômicas. Recentemente, a Argentina seguiu o exemplo dos Estados Unidos ao se retirar da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em contrapartida, o governo Trump tem facilitado a importação de carne bovina argentina e ofereceu um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões para estabilizar o peso local. Contudo, a manutenção desse apoio financeiro foi condicionada pelo presidente norte-americano aos resultados das eleições de meio de mandato em território argentino.
O Cartel Jalisco Nueva Generación é reconhecido como uma das organizações criminosas mais influentes do México, com ramificações que atingem a Colômbia, Guatemala e os Estados Unidos. O grupo foi estabelecido em 2010 por Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, após dissidências no Cartel Milenio. A nova classificação argentina surge pouco tempo após a morte de Cervantes, ocorrida em 22 de fevereiro durante uma intervenção militar em território mexicano, o que mantém a pressão sobre as estruturas de comando da organização.
