O mercado de crédito imobiliário no Brasil apresentou um desempenho robusto nos primeiros seis meses de 2026, atingindo um volume total de R$ 180,9 bilhões. O montante representa um crescimento de 23% em comparação aos R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Segundo a entidade, o resultado foi impulsionado por três pilares fundamentais: a recuperação do crédito para construção via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), o avanço nas operações com recursos do FGTS e a demanda constante por aquisição de imóveis. O crédito destinado à construção civil, especificamente, apresentou um salto expressivo de 107%, subindo de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões. Contudo, o presidente da Abecip, Michel Cury, ponderou que esse número reflete uma base de comparação mais baixa em relação ao início de 2025.
As operações financiadas por meio do FGTS foram determinantes para o cenário atual, crescendo 22% e totalizando R$ 77,6 bilhões. Esse volume viabilizou a compra de mais de 350 mil unidades habitacionais, com forte influência do programa Minha Casa, Minha Vida. O Conselho Curador do FGTS contribuiu para esse desempenho ao ampliar o orçamento destinado à habitação, utilizando também recursos provenientes do Fundo Social.
Apesar da expansão, a Abecip mantém uma postura cautelosa para o restante do ano. Embora o setor imobiliário tenha registrado um aumento de 34% nos lançamentos no primeiro trimestre, a entidade monitora a elevação das taxas de juros de mercado, que impactam a captação de recursos a longo prazo. O fechamento do semestre também indicou um recuo de 8% nas operações com recursos livres, reforçando a necessidade de uma base de financiamento mais diversificada para garantir a continuidade do crescimento.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Banpará
