A líder do partido One Nation, Pauline Hanson, gerou polêmica na Austrália ao descrever a violência doméstica como uma “via de mão dupla”. Em entrevista à rádio 4BC na última quarta-feira, Hanson afirmou que, embora considere a violência um “flagrante”, a sociedade vive sob intensa pressão e que mulheres em situações abusivas deveriam simplesmente “não tolerar” o comportamento dos parceiros.
As declarações foram prontamente rebatidas por especialistas e figuras políticas. Brittany Higgins, diretora executiva do Vida Fund, acusou a parlamentar de promover a culpabilização da vítima. Higgins destacou que normalizar termos como “abuso mútuo” em um cenário onde 38 mulheres australianas foram vítimas de feminicídio este ano é uma postura considerada “atroz”.
O ativista Tarang Chawla, cuja irmã foi assassinada pelo parceiro em 2015, reforçou que a responsabilidade pela violência recai exclusivamente sobre quem a pratica, e não sobre a vítima. Chawla classificou o conselho de Hanson como “terrível”, argumentando que a saída de um relacionamento abusivo é um processo complexo e frequentemente perigoso para as mulheres envolvidas.
Membros do governo também se manifestaram contra a visão da senadora. A ministra de Assuntos Femininos, Katy Gallagher, afirmou que os comentários são desinformados e podem enviar uma mensagem perigosa ao isentar os agressores de responsabilidade. No mesmo sentido, a ministra de Serviços Sociais, Tanya Plibersek, declarou que Hanson deveria focar em oferecer suporte a sobreviventes em vez de menosprezar suas vivências.
Esta não é a primeira vez que a senadora se envolve em controvérsias sobre o tema. Em 2019, Hanson liderou um inquérito sobre o sistema de tribunais de família, alegando que mulheres fabricavam denúncias de violência para impedir o acesso dos pais aos filhos, uma tese amplamente refutada por estudos acadêmicos. O centro de assistência Women’s and Girls’ Emergency Centre classificou as falas recentes como “vis e vergonhosas”, reiterando que a violência doméstica possui um componente de gênero claro, sendo majoritariamente perpetrada por homens.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Prefeitura Municipal de Piên
