O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira (23) que o programa de mísseis do Irã é um pilar indispensável para a estratégia de segurança do país. Durante uma visita oficial ao Paquistão, o mandatário afirmou que essas capacidades militares não serão incluídas em qualquer tipo de negociação diplomática. Segundo Pezeshkian, o arsenal atua como um elemento de dissuasão vital para evitar cenários de destruição em larga escala no território iraniano.
A posição de Teerã foi reforçada por uma justificativa direta sobre a percepção de ameaças externas. O presidente argumentou que, sem o desenvolvimento dessa tecnologia, o Irã estaria vulnerável a ações agressivas, comparando o risco a situações observadas recentemente em outros pontos de conflito, como ocorre em regiões onde os ataques no sul do Líbano permanecem ativos. A declaração enfatiza que o governo não pretende abrir mão de sua soberania defensiva sob nenhuma circunstância.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, manifestou apoio à postura iraniana e confirmou que as tratativas preliminares com os Estados Unidos e outros mediadores internacionais não preveem a inclusão do programa de mísseis balísticos nas pautas de discussão. Sharif criticou a aplicação desigual de normas internacionais, defendendo que o acesso a armamentos de defesa deveria seguir critérios menos discrepantes entre as nações.
Historicamente, o desenvolvimento desses mísseis teve início na década de 1980, durante o conflito contra o Iraque, visando compensar limitações nas defesas aéreas iranianas. Atualmente, o alcance e a precisão do arsenal são monitorados de perto por Israel, que se encontra a cerca de 1.500 km de distância e considera o sistema uma ameaça direta. O tema permanece como um dos pontos de maior tensão nas relações geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e potências ocidentais.
Apesar do histórico de divergências, o cenário diplomático tem demonstrado sinais de movimentação. Recentemente, o presidente Donald Trump indicou uma postura de maior flexibilidade, sugerindo em eventos internacionais que seria injusto restringir o acesso do Irã a tecnologias de defesa enquanto outros países mantêm arsenais equivalentes. O desdobramento dessas negociações continua a ser observado pela comunidade internacional, enquanto o Irã mantém sua firmeza quanto aos limites do que pode ser debatido em mesas de diálogo.
