Ministros do STF defendem retorno da exigência de diploma para jornalistas

diploma de jornalista
O que você precisa saber

  • Ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes defendem a rediscussão da obrigatoriedade do diploma para jornalistas.
  • A exigência do diploma foi derrubada pelo STF em 2009, mas ministros apontam dificuldades na aplicação de garantias profissionais sem regulamentação.
  • O debate ocorre em meio a críticas sobre decisões judiciais que envolveram a quebra de sigilo de fontes jornalísticas.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino e Alexandre de Moraes, manifestaram-se nesta terça-feira (18) a favor de uma nova discussão sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. A exigência foi derrubada pela própria Corte em junho de 2009, quando o plenário entendeu que o certificado não poderia ser um requisito legal para a atividade na imprensa.

O posicionamento de Flávio Dino ocorreu durante o julgamento na Primeira Turma sobre um pedido de direito de resposta. Segundo o ministro, a ausência de uma regulamentação específica gera dificuldades na aplicação de garantias profissionais. “Isto constitui um complicador na medida em que há extensão automática deste regime de garantias a qualquer blogueiro”, afirmou Dino. O julgamento em questão foi suspenso após um pedido de vista da ministra Cármen Lúcia.

Na mesma linha, o ministro Alexandre de Moraes sugeriu que o momento é adequado para uma reflexão sobre o tema, mencionando a possibilidade de uma regra de transição para profissionais já atuantes. “Talvez seja realmente o momento de refletirmos, com uma regra de transição para aqueles que já exercem seriamente a profissão, mas, como qualquer outra profissão no Brasil, uma regulamentação”, declarou o magistrado.

As declarações surgem em um cenário de debates sobre a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte. Recentemente, Moraes determinou buscas contra um ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, apontado como fonte de um jornalista que publicou reportagens sobre o uso de veículos oficiais por familiares de Flávio Dino. A ação envolveu a quebra do sigilo telemático do profissional, o que gerou críticas da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

A entidade classificou a decisão como uma ameaça ao exercício jornalístico. O presidente da SIP, Pierre Manigault, destacou ser “especialmente grave que a investigação tenha permitido chegar até uma fonte jornalística por meio da análise dos dispositivos apreendidos de um jornalista”. Em contrapartida, Moraes defendeu que o sigilo da fonte não deve ser confundido com a prática de crimes, afirmando que a imprensa brasileira é séria, mas que é preciso distinguir o trabalho investigativo de condutas ilícitas.

Crédito da ilustrativa: DCM

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Perguntas frequentes

O diploma de jornalismo voltou a ser obrigatório?

Não. A exigência continua derrubada desde 2009, mas os ministros do STF sugeriram que o tema seja rediscutido.

Por que os ministros querem a volta do diploma?

Eles argumentam que a falta de regulamentação dificulta a aplicação de garantias profissionais e a distinção entre jornalistas e outros produtores de conteúdo.

O que é uma regra de transição mencionada por Alexandre de Moraes?

Seria uma norma para proteger e validar o exercício profissional daqueles que já atuam na área caso a exigência do diploma seja restabelecida.

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