- O MPF instaurou inquérito para investigar a colaboração da Vale com o aparato repressivo da ditadura militar.
- A empresa é suspeita de monitorar trabalhadores e repassar dados de inteligência a órgãos estatais.
- Há denúncias de participação da mineradora na remoção forçada e confinamento de povos indígenas, como os Krenak e Gavião.
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou, nesta semana, um inquérito civil para apurar a participação da mineradora Vale em graves violações de direitos humanos durante o regime militar. A investigação integra um conjunto de apurações que miram o apoio de grandes empresas ao aparato repressivo da época.
De acordo com o órgão, a abertura do procedimento se baseia em elementos probatórios e indiciários que apontam a colaboração da companhia com o sistema repressivo. “Os trabalhadores e seu movimento sindical constituíram o alvo primordial do golpe de Estado de 1964, das ações antecedentes dos golpistas e da ditadura militar”, afirmou o MPF em nota. A aliança entre empresários e forças de segurança, que já existia antes, teria se transformado em uma aliança empresarial-policial-militar, definindo um novo regime fabril.
Segundo o MPF, a Vale teria integrado a “Comunidade de Informações Industriais de Minas Gerais”, uma estrutura privada dedicada à coleta, monitoramento e repasse de dados de inteligência entre seus membros e órgãos estatais de repressão. “Evidências documentais apontam que a empresa integrou essa comunidade”, destacou o órgão, indicando um intercâmbio sistemático de informações com o aparato repressivo.
Além disso, as investigações citam a remoção forçada de indígenas. O MPF afirma que a mineradora colaborou no transporte coercitivo do povo indígena Krenak, utilizando vagões da Estrada de Ferro Vitória a Minas para confinamento na Fazenda Guarani e no Reformatório Agrícola Indígena Krenak, estrutura marcada por violações sistemáticas. Também são apontadas violações contra o povo indígena Gavião (Kyikatejê, Akrãtikatêjê e Parkatêjê) no Pará, relacionadas à implantação da Estrada de Ferro Carajás, dentro do Projeto Grande Carajás.
O inquérito segue em tramitação no MPF, que busca aprofundar as apurações sobre o envolvimento da Vale com o regime militar. A mineradora ainda não se manifestou publicamente sobre o caso. A investigação faz parte de um esforço mais amplo para responsabilizar empresas que apoiaram a ditadura, especialmente em relação a violações de direitos humanos contra trabalhadores e povos indígenas.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: internet
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Perguntas frequentes
O que motivou a abertura do inquérito contra a Vale?
O MPF baseou-se em evidências documentais que apontam a colaboração da empresa com o regime militar, incluindo o monitoramento de trabalhadores e a remoção forçada de indígenas.
Como a Vale teria colaborado com o regime militar?
A empresa teria integrado a 'Comunidade de Informações Industriais de Minas Gerais', trocando dados com órgãos de repressão, e auxiliado no transporte coercitivo de indígenas.
Quais povos indígenas teriam sido afetados pelas ações da mineradora?
O inquérito cita violações contra o povo Krenak, em Minas Gerais, e contra os povos Gavião (Kyikatejê, Akrãtikatêjê e Parkatêjê), no Pará.
Qual é a posição da Vale sobre as investigações?
Até o momento, a mineradora ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.
