- A Polícia Federal investiga suspeita de manipulação contábil na Casas Bahia para reduzir o pagamento de bônus a gerentes.
- A empresa teria excluído juros de vendas parceladas dos relatórios de faturamento, diminuindo artificialmente a base de cálculo das premiações.
- A varejista enfrenta grave crise financeira, com pedido de recuperação judicial e dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões.
A Polícia Federal (PF) abriu investigação para apurar uma possível maquiagem contábil na Casas Bahia, com suspeita de que a varejista tenha manipulado dados financeiros para diminuir o pagamento de bônus e premiações a gerentes de lojas. O foco da apuração está no sistema de metas da empresa, que utiliza o faturamento das unidades como base para calcular a remuneração variável dos funcionários.
De acordo com informações do portal Metrópoles, a suspeita é que a Casas Bahia tenha excluído os juros de vendas parceladas dos relatórios internos, contabilizando apenas o valor à vista dos produtos. Isso reduziria artificialmente o faturamento que serve de referência para as premiações, impactando diretamente os ganhos dos gerentes.
Os investigadores analisam os sistemas PRWEB e Looqbox, usados pela companhia para acompanhar metas relacionadas a mercantil, móveis, serviços e crédito próprio. Documentos obtidos pela PF indicam que essas plataformas teriam produzido números que não refletem integralmente o faturamento das vendas. Além disso, ofícios do Banco Central e do Bradesco contradizem a versão da empresa de que os juros dos carnês pertenciam a bancos parceiros, apontando que a própria Casas Bahia era responsável pelas operações de crédito.
Em nota oficial, a Casas Bahia afirmou que não foi notificada sobre qualquer investigação. “O Grupo Casas Bahia informa que não foi notificado sobre qualquer investigação relacionada ao tema mencionado. A companhia reitera que atua em conformidade com a legislação e seus processos de governança e permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários, caso seja formalmente procurada”, disse a empresa.
O caso ocorre em meio à grave crise financeira da varejista, que em agosto de 2026 fechou 298 lojas e pediu recuperação judicial ao Tribunal de Justiça de São Paulo, com dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões. O plano de reestruturação prevê a demissão de 1.900 a 3.000 funcionários, mas a Justiça do Trabalho suspendeu provisoriamente os desligamentos realizados entre 13 e 17 de agosto, atendendo a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).
O CEO do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, justificou os fechamentos como uma “onda única” para evitar novos ajustes, afirmando que a empresa eliminou “todas as lojas que estavam na UTI”. A companhia também estuda medidas como renegociação de prazos com fornecedores e liberação de depósitos judiciais, mas ainda sem definição. No balanço do 2º trimestre, o grupo registrou fluxo de caixa livre de R$ 1 bilhão e redução de estoques de R$ 1,15 bilhão.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: CNN Brasil
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Perguntas frequentes
Como a Casas Bahia teria manipulado os dados?
A suspeita é que a empresa tenha contabilizado apenas o valor à vista dos produtos, excluindo os juros das vendas parceladas para reduzir o faturamento base das premiações.
Qual a posição da Casas Bahia sobre a investigação?
A empresa afirmou, em nota, que não foi notificada sobre a investigação e que atua em conformidade com a legislação e processos de governança.
Qual a situação atual da empresa?
A Casas Bahia está em recuperação judicial, com dívidas de R$ 17,3 bilhões, e enfrenta uma crise que resultou no fechamento de 298 lojas em agosto de 2026.
