Rússia acusa Pavel Durov, fundador do Telegram, de facilitar terrorismo

Pavel Durov

O governo da Rússia anunciou formalmente a acusação contra Pavel Durov, fundador do Telegram, alegando que o aplicativo de mensagens tem sido utilizado por serviços de inteligência da Ucrânia para organizar ataques dentro do território russo. O Serviço Federal de Segurança (FSB) sustenta que o empresário, que reside em Dubai, facilitou atividades terroristas ao permitir o uso da plataforma para fins ilícitos, marcando o ápice de uma investigação de longa data contra a infraestrutura do aplicativo.

Segundo as autoridades russas, o foco da investigação recai sobre o chatbot “Daivinchik/Leo”, uma ferramenta popular de namoro que teria sido manipulada por agentes ucranianos. O FSB afirma que esses espiões, fingindo ser jovens mulheres, recrutaram cidadãos russos para realizar atos de sabotagem e ataques a infraestruturas estratégicas, como redes de energia e comunicações. Dados do órgão indicam que 46 pessoas, com idades entre 12 e 22 anos, foram presas no último ano sob acusação de envolvimento nessas operações.

Em uma reação direta às acusações, a conta oficial do Telegram no X publicou uma imagem do bilionário fazendo um gesto obsceno. Durov, que possui cidadania dos Emirados Árabes Unidos e da França, nega qualquer irregularidade e afirma que o Telegram cumpre rigorosamente as normas de moderação de conteúdo. O empresário já havia declarado anteriormente: “Eles devem estar suspeitando que estou defendendo os artigos 29 e 23 da Constituição russa — que garantem a liberdade de expressão e o direito à correspondência privada. Orgulhoso de ser culpado!”.

O cenário de disputa sobre o controle da tecnologia e da informação na Rússia tem levado a restrições constantes ao acesso de plataformas estrangeiras. Atualmente, usuários russos dependem de VPNs para acessar o Telegram, embora órgãos estatais e o próprio Kremlin utilizem o aplicativo como canal oficial de comunicação diária. A situação jurídica de Durov permanece complexa, especialmente após sua detenção na França em 2024, onde também enfrenta questionamentos sobre a cooperação da plataforma com autoridades criminais.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Wikipedia

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