Alcolumbre resiste a pressões do governo para votação célere da PEC 6×1

PEC 6x1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou resistência à estratégia do governo federal para acelerar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1. Em diálogos com aliados, o senador afirmou que não cederá a pressões e defendeu a necessidade de um debate amplo sobre o tema, descartando um rito de votação expressa no Senado. A posição de Alcolumbre visa evitar que a Casa atue apenas como uma extensão da Câmara, permitindo que os senadores analisem com cautela os desdobramentos da medida.

Alcolumbre atribuiu parte da pressão que vem recebendo nas redes sociais a articulações de setores alinhados ao governo e à esquerda. Segundo o parlamentar, o Executivo busca uma tramitação rápida, mas o Senado deve manter seu perfil de cautela e diálogo. A PEC, que propõe a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e a garantia de folgas, exige o apoio de 49 dos 81 senadores em dois turnos para ser aprovada, um cenário complexo que envolve também questões econômicas sensíveis aos setores produtivos do país.

Durante a última sessão, o presidente do Senado confirmou que a proposta será submetida à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), garantindo que o tema passe por um rito de construção de entendimento. “Essa é a minha percepção. Ela não é a favor nem é contra. Ela é a favor do debate, do diálogo, da construção, do entendimento”, declarou Alcolumbre ao receber representantes da Fiesp. O grupo empresarial, por sua vez, busca sensibilizar a opinião pública sobre os possíveis impactos nos preços de produtos e serviços caso a mudança seja implementada sem ajustes estruturais.

Enquanto o governo, por meio de ministros como José Guimarães, defende que a matéria vá direto ao plenário, a oposição e entidades sindicais mantêm mobilizações constantes para pressionar os parlamentares. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou ferramentas digitais para facilitar o contato direto da população com os senadores. Esse cenário de embate político é acompanhado de perto, especialmente em um contexto onde outras discussões legislativas, como as que visam proteger o patrimônio público e ambiental, também buscam espaço na agenda da Casa.

A relação entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto apresenta sinais de desgaste, agravada por divergências anteriores envolvendo indicações ao Supremo Tribunal Federal. Analistas políticos observam que a demora em despachar a PEC para a CCJ gera desconfiança entre os governistas, que temem uma manobra para adiar a votação para depois do período eleitoral. O desfecho da tramitação da PEC 6×1 dependerá, portanto, do equilíbrio entre a mobilização popular e a capacidade de articulação política dentro do Senado.

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