O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta sexta-feira (7) o plano de governo para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento, organizado em 13 temas, surge em meio ao agravamento da crise comercial com os Estados Unidos, marcada por um tarifaço que pode alcançar sobretaxa de 37,5% sobre produtos brasileiros. A proposta central é reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos.
No texto, o partido faz duras críticas ao que chama de “servilismo” e defende a rejeição a alinhamentos automáticos com grandes potências. “Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica. Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas”, diz o documento.
Na área digital, o plano prioriza a chamada soberania digital, com investimento em inteligência artificial e infraestruturas críticas operadas por instituições nacionais. O objetivo é assegurar que o ambiente digital brasileiro siga as leis locais e proteja dados sensíveis, reduzindo a dependência externa. A proposta também prevê o fortalecimento da Base Industrial e Tecnológica de Defesa. “Não existe projeção internacional soberana sem capacidade de defesa e dissuasão”, afirma o partido, que defende Forças Armadas bem equipadas e uma indústria de defesa sólida.
O plano econômico, por sua vez, reafirma o compromisso com o novo arcabouço fiscal, prometendo reduzir juros e controlar a inflação. “O resultado fiscal virá da retomada do crescimento, do controle do aumento do gasto primário, investindo na eficiência do gasto público, da justiça tributária e do combate aos privilégios”, diz o texto. A gestão fiscal busca o reequilíbrio das contas públicas, com déficit primário projetado em 0,4% do PIB em 2026.
Na segurança pública, o plano reitera a promessa de recriar o Ministério da Segurança Pública, caso o Congresso aprove a PEC da Segurança. A proposta mantém o controle rigoroso de armas, com aprimoramento da rastreabilidade e fiscalização da Polícia Federal e do Exército sobre CACs. Também prevê expansão de câmeras corporais com padrões nacionais de gestão de imagens.
O documento ainda reforça a diplomacia universalista e independente, baseada em reciprocidade e multilateralismo. Em contraste, o ministro da Defesa, José Múcio, disse recentemente que, diante de uma invasão dos EUA, o melhor seria “abrir o portão”. O plano, no entanto, defende autonomia em setores estratégicos, incluindo defesa e tecnologia, como caminho para reduzir vulnerabilidades.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: CNN Brasil
